quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Alecrim



O nosso amor inspirava
Pássaros, rosas, alecrins
O céu todo se alegrava
Dançavam-se anjos e querubins

Cada estrela em sua combustão suspirava
Casa astro luminoso sorria
Até a lua em sua parte escura
Naqueles dias se distraía

Mas tudo precisa de um fim
Se fosse eterno seria condenação
Deixo apenas ao pensamento os toques
Deixo que sejam apenas ilusão.



Versinhos achados de 2014

Curiosidade: Antes do mundo tecnológico, as pessoas acreditavam que ao tocar a pessoa amada com alecrim, o amor entre dos dois seria eterno.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Azul






Quando olho minha face não me vejo. Vejo uns restos meio tortos do que foi minha alma um dia. Queria voltar a ver poesia na individualidade, na calmaria do meu livro junto da janela quando chove, da cama vazia quando faz frio, da felicidade nessas coisas. Não vi ao certo quando ocorreu, mas antes que eu pudesse relutar, tornei-me escrava dos seus anseios, a dor que eu sinto é testemunha do elo. E por agora, sei que vai me revirar do avesso, e eu vou permitir que me invada. Eu que tantas vezes tanto feri, tanto cortei por covardia e egoísmo, sinto que tenho uma eterna divida com o inevitável. Decidi olhar de frente o sombrio da minha alma. Confesso, já era o momento e o retorno não falha,  eu, no mais alto grau inconsciente me sabotei, quis falhar uma vez, falhar por você. Então pode ir, não tenho receios de me sujeitar a você, sou eu quem escolheu por agora de tal forma viver. O seu amor é o que me quebra, mas é o que me fará encontrar os antigos pedaços da minha alma, ainda que espalhados pelo chão como vidro sem valor. 

"Me deixa cair aos seus pés
Ser sua devota e pagã
Me ensina como ter você
Me deixa, mas volta amanhã de manhã

Só pra eu aceitar, essa luta vã
De te perdoar, todas as manhãs
Só pr'eu me calar, ao ouvir teu riso
E me sujeitar ao teu egoísmo
E ainda assim, ser tão feliz"

Sua - Ana Muller

sábado, 5 de novembro de 2016

O homem do Jaleco Branco





"Olá, Janaína." - Disse uma senhora simpática que aguardava na sala, fiquei assustada e logo lembrei que naquela sala, todas eram Janaína.
 Terminei, caminhei até a estação e no caminho, ainda em estado de choque, comecei a pensar sobre o quão ridículo é o governo ter parceria com uma plataforma de estudos online, plataforma pela qual você tem que pagar para ter acesso, o nome é "EXAME NACIONAL DO ENSINO MÉDIO", mas o conteúdo não é abordado lá, é na tal da plataforma, por que não mudam o nome para "EXAME NACIONAL DA PLATAFORMA?" Pensei, e então, estacionou na calçada um desses carros que a gente olha, não por maldade ou desejo, é mais por estranhamento por nunca ver um desses usualmente, um homem (juro), desceu do carro e caminhou até a portaria de um apartamento bonito e gigante, que só não é melhor pela poluição do ar ser bem pior por lá... Eu olhei para os braços do homem, enquanto esse fechava o portão e vi que ele carregava aquele  jaleco braco... Eu não esbocei nenhuma reação, só por dentro que estremeci. 
 Esse texto não é sobre a falta (ou não) da meritocracia, é sobre como o destino tem um jeito sarcástico de zombar da gente nos piores momentos. 
  


Calma, sua nota não te define.
A explosão da alma, das cores, culturas e amores

Mesmo que numa grande junção
Não cabem numa equação.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Surrealismo

Resultado de imagem para caras ionut


Ao pássaro engaiolado
Enclausurado pelo medo de voar
Aconselho-te: vista tua gaiola de asas
E voe com ela - teu lar. 

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

O Pecado de Flávia é ser Masoquista

  


  Você, meu bem, consegue enxergar a alma de alguém? Flávia consegue.
  Qual o problema? Da libido cada um só sabe de si.
  Ah, jovem, sem moralismos por aqui, vai dizer que nunca sonhou que estavas fodendo de forma imoral? Incesto? Não teve? Talvez esse não passou pela sua "peneira moral consciente", e ao acordar pensou simplesmente não ter com nada sonhado. Freud explica.
  Não vou medir palavras quando escrevo, já muito tenho que fazer isso nas convenções sociais... Todo comportamento moralmente não aceito é pecado ou distúrbio.
  Flávia sabe despir a alma fora do orgasmo. Ela é humilhada, humilhada ao sentir dor, sensação de que alguém a ajudou a tocar mais uma vez no frágil que nela há,. E é ali, perdida nas próprias sombras que ela consegue dar um outro sentido para as dores: O prazer.
  Enquanto muitos se trancam por dentro, apontam dedos para os outros, tapando seus olhos por não possuírem coragem para olharem para suas raízes, é dali que Flávia tira suas forças. 
  Ela nunca foi de coisas superficiais. Se é pra amar, é pra amar o sombrio também. Todos possuem um, ela só é corajosa demais para não esconder. 

  Já dizia alguém: Só árvores com raízes cravadas no abismo podem alçar mais alto os céus e pouco se abalarem com tempestades.


  Amor e dor, até as palavras são parecidas.

Birra




Tantos sonhos que já não sei quem sou, ser físico imutável nas variáveis, ou simplesmente virei personificação de alma que não para e voa.
Tanto para viver, tanto para escrever... Ufanismo primaveril, romantismo do século XIX, fórmulas químicas e matemáticas. Descrições do amor, dos toques, das músicas, do futuro e das melhores das recordações. Gente simples, vendedor de comida típica, boteco com música boa e luau, acampamento com amigos e fogueira... Tenho tanta memória bonita no coração que juro, não entendo quem gasta tempo para escrever algo ruim sobre quem quer que seja.
 É preciso deixar as mágoas do passado para trás se quiser sorrir no futuro. 

 Que entenda como ameaça: Se destilar veneno novamente, vai ganhar um ABRAÇO. Sei que a inveja escorre quando falta amor.

 Não comparo com os porcos, a sujeira deles é só física. Péssimo é ter olhar lindo, enquanto a alma é podre.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

A cama, nosso palco




 Deixa, moça. Deixa que teu corpo se junte ao meu, e aperte em mim o teu laço, no pico mais alto do breu. Aquela garrafa já sem vinho é testemunha de nosso pecado, mas que pecado mais bonito, o de amar e ser amado.
 Que se passem os anos, as memórias ficam. Da alma o corpo é só abrigo. Deixo a ti o papel de Deusa, e em cada primavera de longe, me reconheça. Encontrarei então som mais puro que o de teus suspiros com os meus em comunhão. Assumo, ilusão.



Posto aqui, servo aos teus delírios
Me cobre com teu suor quente, pescoço, gemidos
Faz dançar nossas pernas, ritmo fatigado
Marca de quem é cru na alma, teu escravo.

Não me tortures, provoque a teu gosto
Não em arremates rápido, mas que seja o toque, grosso
Não acanhe teus poéticos seios
Juro, amor também é desejo. 

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Perdida





Outrora me perdi no teu néctar
Me perdi em teu suor, em teu olhar
Naveguei por entre pernas, um gemido, um suspirar
Cavalguei na noite escura, só acompanhado das lembranças que carrego
Se são amigas? Não sei. Inimigas? Não nego
Nelas encontro você, e seus cabelos sobre ombros meus
Minha paixão que se desfaz em um segundo, junto ao corpo teu
Topo tudo, não me vejo
Nem a mim, reconheço
Me transformar em outro ser quando  junto de ti me vem o querer
De querer por prazer
Nos tornamos apenas um
Ao saber que nem sempre ‘’dentro de mim’’
Se resume ao corpo nu
E é mais, é além
se tornou alguém do meu não reconhecer
o que fazer após me iludir? Me fazer gozar, me dar de subir
E me descer.

Escrava das Horas




Eram dezoito horas, quando parei perto de um grupo que tocava jazz no coração do caos urbano nacional.  Acendi um cigarro, e meus pensamentos começaram a se dispersar, assim como a fumaça que olhava...

Aquele lugar já testemunhou minha embriaguez de álcool e de utopia. Eu  me agarrava em sua blusa, ia embora quando queria. Olhava as outras pessoas, que precisavam amanhecer na mesma hora em que o dia, sentia pena delas, pensava ser esperta demais, e que uma escrava das horas, eu jamais seria. 
 O moço mudou de estado geográfico e mental, eu pensei que era o fim da vida, fui uma vez o visitar no litoral. O moço que outrora me embalava em sonhos, de sonhos hoje perecia. Ele era outro, e eu também, não entendi como um dia eu me iludi tanto por esse alguém. 
 Aquele lugar também já presenciou meu clamor por mudança, aquele momento da vida em que eu era pura esperança. Aquele lugar que já presenciou gritos de alegria, meus e de uma companheira, que não suportou na vida a estadia, como na música da banda que ouvia, do quinto andar ela partira.
  Me falham na memória os rostos, os risos, os choros, daquele lugar que reluzia nas madrugadas dos sábados, inclusive, estava me lembrando... Caraca, DEZOITO E TRINTA! Melhor me misturar na população da zona central, sempre atrasada, para qualquer que seja o final. 

terça-feira, 24 de maio de 2016

Carta ao Ariano de 2013





"Amor ignorado é amor multiplicado" - Nietzsche

Sabe, existem muitas coisas que eu e você deveriamos entender naqueles anos... Minha extrema sensibilidade aliada ao orgulho egoísta, e sua falta de experiencia em dar amor, exagerando e deixando faltar realidade. 
 Nunca tive certeza dos seus sentimentos, nunca acreditei nas paixões avassaladoras que batem no peito, pois sempre soube que assim como as maiores ondas que que encharcam as areais, na volta, elas arrastam tudo o que tocaram e se perdem de volta em meio ao mar. 
 Sozinha que era, não queria me acostumar com alguém... Imatura, sonhava com o amor perfeito, amor esse que você nunca poderia me dar, nem ninguém
 Não te deixei entrar, não deixaria. Eu precisava de descanso, de brisa suave... Mas ariano quando ama entra na nossa vida como um tornado sem direção.
  A leonina, fã das relações sociais dramáticas havia encontrado o ator perfeito. Meses de máscaras, muros, proteção, cinismo, manipulação, representação, humilhação, trilhas que envolviam o maravilhoso rock brasileiro dos anos 80... Eu nunca sofri por você. 

 O que ninguém percebia é que nossa cumplicidade não estava no romance, mas nos olhos. A gente sabia que o melhor eram as lembranças, e que elas valeriam de alguma coisa no futuro, nem que fosse para escrever um trechinho como esse.

"Mas não, não vá agora
 Quero honras e promessas
Lembranças e histórias"

Alice gosta de FODER



 Não, ela não quer fazer amor. Ela detesta as máscaras sociais. Detesta o modo com o qual as pessoas escolhem as palavras, os lugares, suas roupas, o cabelo... Detesta o humano moralizado. Alice quer o instinto.
 Alice não quer dormir junto, quer foder. Gozar e fazer Gozar. Alice gosta dos suspiros, dos gemidos, do toque, do odor, do suor. Gosta do começo simples, dos toques leves que aumentam de frequência, do "continua", da forma com a qual se movem os músculos, dos batimentos acelerados... E principalmente, Alice gosta de observar a outra pessoa no ápice.
 Alice sabe que o momento em que se chega ao ápice, é o único momento em que a alma é despida. O momento em que ninguém é médico, ativista, recatado, tímido ou atirado. É ali, no gozo que ninguém consegue pensar na forma com a qual vai gemer, vai se movimentar ou respirar. O momento em que verdadeiramente nos tornamos quem somos.  Alice quer foder, não amar. 

Ao término, o amor é só mais um contrato social com vencimento muitas vezes  premeditado.
Mas nunca se sabe quando aquela foda vai ser por apenas um dia, ou por muitos deles. 


segunda-feira, 23 de maio de 2016

Quando a chuva é testemunha






Sentir o toque, a pele. Era crime a beijar, mas não beijei seus lábios. Beijei sua alma. Durante aquela madrugada chuvosa, beijei suas mãos, seu pescoço e quase padeci ao suspiro no ouvido. Arrepio. A chuva era a unica testemunha. Suspiramos com abraços, amarramos nossos corpos, criamos um laço que dali não poderia partir. Sai com um nó na garganta, e outro no coração. E cada vez que lembro de suas mãos em minhas mãos, o corpo estremece… Foi breve, eternamente breve.

Tanto a beijei, sem tocar seus lábios
Não era necessário.
Nossas mãos, criminosas
Se enrolavam num laço
Terminavam em suspiros
De abraços