segunda-feira, 30 de maio de 2016

Escrava das Horas




Eram dezoito horas, quando parei perto de um grupo que tocava jazz no coração do caos urbano nacional.  Acendi um cigarro, e meus pensamentos começaram a se dispersar, assim como a fumaça que olhava...

Aquele lugar já testemunhou minha embriaguez de álcool e de utopia. Eu  me agarrava em sua blusa, ia embora quando queria. Olhava as outras pessoas, que precisavam amanhecer na mesma hora em que o dia, sentia pena delas, pensava ser esperta demais, e que uma escrava das horas, eu jamais seria. 
 O moço mudou de estado geográfico e mental, eu pensei que era o fim da vida, fui uma vez o visitar no litoral. O moço que outrora me embalava em sonhos, de sonhos hoje perecia. Ele era outro, e eu também, não entendi como um dia eu me iludi tanto por esse alguém. 
 Aquele lugar também já presenciou meu clamor por mudança, aquele momento da vida em que eu era pura esperança. Aquele lugar que já presenciou gritos de alegria, meus e de uma companheira, que não suportou na vida a estadia, como na música da banda que ouvia, do quinto andar ela partira.
  Me falham na memória os rostos, os risos, os choros, daquele lugar que reluzia nas madrugadas dos sábados, inclusive, estava me lembrando... Caraca, DEZOITO E TRINTA! Melhor me misturar na população da zona central, sempre atrasada, para qualquer que seja o final. 

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