segunda-feira, 30 de maio de 2016

Perdida





Outrora me perdi no teu néctar
Me perdi em teu suor, em teu olhar
Naveguei por entre pernas, um gemido, um suspirar
Cavalguei na noite escura, só acompanhado das lembranças que carrego
Se são amigas? Não sei. Inimigas? Não nego
Nelas encontro você, e seus cabelos sobre ombros meus
Minha paixão que se desfaz em um segundo, junto ao corpo teu
Topo tudo, não me vejo
Nem a mim, reconheço
Me transformar em outro ser quando  junto de ti me vem o querer
De querer por prazer
Nos tornamos apenas um
Ao saber que nem sempre ‘’dentro de mim’’
Se resume ao corpo nu
E é mais, é além
se tornou alguém do meu não reconhecer
o que fazer após me iludir? Me fazer gozar, me dar de subir
E me descer.

Escrava das Horas




Eram dezoito horas, quando parei perto de um grupo que tocava jazz no coração do caos urbano nacional.  Acendi um cigarro, e meus pensamentos começaram a se dispersar, assim como a fumaça que olhava...

Aquele lugar já testemunhou minha embriaguez de álcool e de utopia. Eu  me agarrava em sua blusa, ia embora quando queria. Olhava as outras pessoas, que precisavam amanhecer na mesma hora em que o dia, sentia pena delas, pensava ser esperta demais, e que uma escrava das horas, eu jamais seria. 
 O moço mudou de estado geográfico e mental, eu pensei que era o fim da vida, fui uma vez o visitar no litoral. O moço que outrora me embalava em sonhos, de sonhos hoje perecia. Ele era outro, e eu também, não entendi como um dia eu me iludi tanto por esse alguém. 
 Aquele lugar também já presenciou meu clamor por mudança, aquele momento da vida em que eu era pura esperança. Aquele lugar que já presenciou gritos de alegria, meus e de uma companheira, que não suportou na vida a estadia, como na música da banda que ouvia, do quinto andar ela partira.
  Me falham na memória os rostos, os risos, os choros, daquele lugar que reluzia nas madrugadas dos sábados, inclusive, estava me lembrando... Caraca, DEZOITO E TRINTA! Melhor me misturar na população da zona central, sempre atrasada, para qualquer que seja o final. 

terça-feira, 24 de maio de 2016

Carta ao Ariano de 2013





"Amor ignorado é amor multiplicado" - Nietzsche

Sabe, existem muitas coisas que eu e você deveriamos entender naqueles anos... Minha extrema sensibilidade aliada ao orgulho egoísta, e sua falta de experiencia em dar amor, exagerando e deixando faltar realidade. 
 Nunca tive certeza dos seus sentimentos, nunca acreditei nas paixões avassaladoras que batem no peito, pois sempre soube que assim como as maiores ondas que que encharcam as areais, na volta, elas arrastam tudo o que tocaram e se perdem de volta em meio ao mar. 
 Sozinha que era, não queria me acostumar com alguém... Imatura, sonhava com o amor perfeito, amor esse que você nunca poderia me dar, nem ninguém
 Não te deixei entrar, não deixaria. Eu precisava de descanso, de brisa suave... Mas ariano quando ama entra na nossa vida como um tornado sem direção.
  A leonina, fã das relações sociais dramáticas havia encontrado o ator perfeito. Meses de máscaras, muros, proteção, cinismo, manipulação, representação, humilhação, trilhas que envolviam o maravilhoso rock brasileiro dos anos 80... Eu nunca sofri por você. 

 O que ninguém percebia é que nossa cumplicidade não estava no romance, mas nos olhos. A gente sabia que o melhor eram as lembranças, e que elas valeriam de alguma coisa no futuro, nem que fosse para escrever um trechinho como esse.

"Mas não, não vá agora
 Quero honras e promessas
Lembranças e histórias"

Alice gosta de FODER



 Não, ela não quer fazer amor. Ela detesta as máscaras sociais. Detesta o modo com o qual as pessoas escolhem as palavras, os lugares, suas roupas, o cabelo... Detesta o humano moralizado. Alice quer o instinto.
 Alice não quer dormir junto, quer foder. Gozar e fazer Gozar. Alice gosta dos suspiros, dos gemidos, do toque, do odor, do suor. Gosta do começo simples, dos toques leves que aumentam de frequência, do "continua", da forma com a qual se movem os músculos, dos batimentos acelerados... E principalmente, Alice gosta de observar a outra pessoa no ápice.
 Alice sabe que o momento em que se chega ao ápice, é o único momento em que a alma é despida. O momento em que ninguém é médico, ativista, recatado, tímido ou atirado. É ali, no gozo que ninguém consegue pensar na forma com a qual vai gemer, vai se movimentar ou respirar. O momento em que verdadeiramente nos tornamos quem somos.  Alice quer foder, não amar. 

Ao término, o amor é só mais um contrato social com vencimento muitas vezes  premeditado.
Mas nunca se sabe quando aquela foda vai ser por apenas um dia, ou por muitos deles. 


segunda-feira, 23 de maio de 2016

Quando a chuva é testemunha






Sentir o toque, a pele. Era crime a beijar, mas não beijei seus lábios. Beijei sua alma. Durante aquela madrugada chuvosa, beijei suas mãos, seu pescoço e quase padeci ao suspiro no ouvido. Arrepio. A chuva era a unica testemunha. Suspiramos com abraços, amarramos nossos corpos, criamos um laço que dali não poderia partir. Sai com um nó na garganta, e outro no coração. E cada vez que lembro de suas mãos em minhas mãos, o corpo estremece… Foi breve, eternamente breve.

Tanto a beijei, sem tocar seus lábios
Não era necessário.
Nossas mãos, criminosas
Se enrolavam num laço
Terminavam em suspiros
De abraços