sábado, 4 de março de 2017

Domingo de Chuva

Noite de festa, comemoração pela cidade. Pessoas com cheiro de bebida, mas coloridas.
Ela sentou no ponto de ônibus, enquanto fumava o cigarro para romantizar com a situação, as lágrimas já estavam fracas, mas um moço percebeu que ela tinha uma tatuagem em homenagem a banda Legião Urbana. Péssima sacada. Ela já estava se recompondo, talvez o moço tenha feito aquilo apenas para lhe chamar atenção, mas a afinação e entonação denunciavam, ele cantava com o coração. "Aguento firme", pensou. O problema foi quando ele pronunciou "há tempos são os jovens que adoecem", as lágrimas rolaram, segurou o soluço. Só conseguia apelar para Deus que aquele moço parasse de cantar. A música terminou, ela não olhou-o no rosto, vestiu uma blusa para cobrir a tatuagem, o ouviu dizer em tom de muita felicidade: "Obrigada, moça. Você fez eu me lembrar dessa música linda". Ela queria olhar, queria abraça-lo e conversar com ele por muito tempo, só conseguiu dizer um "que bom", sem ao menos lhe olhar na face. Correu para o ônibus, malditas lágrimas. Ela queria não ser o contraste, ao menos uma vez.